Um blog, um confessionário, uma despretensiosa
conversa de boteco. Coisas sem sentido e ao mesmo tempo profundas... Um pouco de
insanidade com uma pitada de sensatez... Divã no Boteco.


29 abril 2009

O tempo transforma



É interessante o que o tempo faz com nossas vidas. Em alguns casos chega a ser empolgante ver o quanto evoluímos e quantas coisas mudaram com o passar deste. Tenho certeza que isso ocorre com muitos de nós, basta olhar para trás.

Claro que nossas escolhas influenciam diretamente. O que somos hoje é a soma disso e de outros fatores. Mas não tenho duvidas que o tempo por si só, é responsável por uma grande parcela do que somos hoje. Se não tivéssemos a percepção de tempo, o que seria de nós?

Quando olho para trás e me vejo ainda um guri do interior do Rio Grande do Sul, vivendo minhas aventuras no bosque que tinha perto da minha casa, percebo a distância que estou daquela época, e que muitas coisas mudaram.

Costumava brincar de imaginar minha vida no ano 2000, quando então teria vinte e três anos. Exceto pelos carros voadores e as viagens espaciais que seriam tão comuns como andar de ônibus de um lado para outro, lembro que me imaginava já casado, com provavelmente um filho. A esposa eu já havia escolhido, uma guria da escola por quem me apaixonei e sonhei por dois ou mais anos sem nunca ter tido coragem de lhe falar. Seria astrônomo. Adorava ficar olhando pro céu, e, pensava que se tivesse um pouco mais de sorte, quando crescesse poderia ser astronauta. Como qualquer guri... Um sonhador. E Bob, meu guaipeca parceiro de muitas aventuras fazia parte do meu futuro, e brincaria com meu filho. Eu não tinha idéia de que ele seria muito velho pra estar vivo.

Qualquer dia eu escreverei sobre o Bob, o vira-latas mais inteligente e parceiro que eu já conheci.

Enfim, minha vida tomou rumos bem inesperados. Não sou astrônomo, nem astronauta. E o mais próximo que consegui chegar do espaço foi voando em altitude de cruzeiro. Não casei. Não moro mais perto do bosque, e raramente brinco de explorar terrenos desconhecidos, a não ser, eventualmente alguma namorada nova... Mas isso é outro assunto. Estou bem longe da minha casa, e vivo uma vida bem diferente. Minhas ambições mudaram. Meus amigos não são os mesmos. E o Bob já se foi. Mas continuo sonhando.

Apesar de a minha vida ter se encaminhado pra lugares bem diferentes dos que eu imaginei, estou bem feliz com ela e com tudo que conquistei... Sempre que olho para trás, o motor que me impulsiona a fazer isso não é o arrependimento, mas a saudade. Sou grato também ao tempo – ou ao responsável por ele – pelo que sou hoje.

28 abril 2009

Obrigado!

I would like to say thank you to all my international visitors (even by mistake in some cases). I hope you enjoy. Welcome!



27 abril 2009

Quando foi a última vez que você fez alguma coisa pela primeira vez?

Faça alguma coisa pela primeira vez, e sinta essa emoção

O tempo está passando, aproveite enquanto ainda há tempo

Não deixe passar essa oportunidade

Salte de bungee jumping, faça rafting, que tal um rappel em uma cachoeira? Sinta o medo de enfrentar uma sensação desconhecida!

Beije aquela garota que não sai da sua cabeça, ouse mais

Seja arrojado, diga mais sim, diga menos não, sinta o efeito da adrenalina

Não desperdice oportunidades, aproveite-ás, talvez elas não se repitam

O tempo está passando, e se você daqui há alguns anos não tiver saúde para isso?

Não vá se arrepender

Faça mais!

Pense menos!

23 abril 2009

O povo anda meio desanimado


Tenho falado com pessoas, muitas pessoas. E é evidente que boa parte delas não está contente com o momento atual das suas vidas.

Sim, tem as questões da crise na economia global, e o impacto que isso gera em nossas vidas.

Mas não é só isso. Estamos vivendo, aparentemente, um momento de insatisfação generalizada. Pessoas descontentes com o trabalho, com suas vidas e tudo mais. Esse descontentamento pode ser percebido no rosto das pessoas. Olhe com atenção, as pessoas do seu convívio diário, e encontrará exemplos, aliás, olhe para você mesmo, e talvez encontre o melhor exemplo.

Há um desânimo no ar. As pessoas estão apáticas. Isso é perturbador. Porque se perdermos o poder de reação e nos entregarmos às dificuldades tudo fica mais difícil. Mas qual é a causa aparente disso tudo?

Talvez o mundo que nós mesmos criamos. Não vou me aprofundar nisso, não hoje, por que hoje estou meio desanimado...

Assisti ao filme Ensaio Sobre a Cegueira logo que lançado no Brasil. E hoje fico imaginando, se ao invés de cegueira vivêssemos um surto de desesperança e abatimento. Seria muito assustador!

Imagine. A sensação é semelhante ao efeito da gripe em nosso corpo, mas um pouco mais severo. Ficaríamos indispostos. Deixaríamos de ir ao trabalho, escola e faculdades ficariam vazias. Não haveria pessoas conversando nos parques e esquinas, porque ninguém teria ânimo pra conversar, sequer lamentariam umas para as outras de seus problemas, pois não teriam esperança de com isso atenuá-los. Não haveria pessoas dispostas a limpar nossas ruas, e o lixo se acumularia nas esquinas. O caos se instalaria em poucos dias, com a parada de serviços essenciais, como produção de alimentos, energia e água potável. As crianças ficariam resignadas as suas camas, e não teriam entusiasmo pra brincar. O mundo ficaria em um silêncio inquietante. Também não haveria transporte, mas quem se importaria com isso? Por que ser transportado de um lado pra outro? Por que se alimentar? Energia pra que? Iluminar o que, senão não nos interessaríamos por ver nada?!

Seria uma visão aterrorizante! Logo seríamos extintos. Num futuro distante, alguém perguntaria qual a causa que levou a extinção dos seres mais criativos desse planeta? Alguém responderia - a falta de esperança!

Melhor não desanimar!

15 abril 2009

Simplificar, talvez seja a solução


Passei muito tempo da minha vida fazendo perguntas que eu acreditava fossem importantes, essenciais, cruciais! pra entender esse mundo e a própria vida um pouco melhor.

O tempo vai passando, e as respostas são escassas e pouco objetivas. Você desanima. A vida parece ainda mais enigmática, e incompreensível. Não é uma coisa simples. Não tem um guia indicando como vivê-la da melhor maneira e pra quê ela serve exatamente. Entre nós: Carreira, casar, ter filhos, etc., me parece coisas boas, mas eu gosto de pensar na vida como uma coisa contínua, e a idéia de envelhecer na varanda vendo o tempo passar, hoje com a quantidade de testosterona de um homem de trinta, não me agrada. Quero mais pro futuro.

Somam-se os desamores, as perdas, e todas as dificuldades do cotidiano e a gente deixa a peteca cair. OK. Todo mundo algum dia irá fazer esse tipo de questionamento, de onde vim, pra onde vou... Its so boring talking about it...

Mas essa fase não passou, e não vou dizer que hoje entendo perfeitamente, e sei exatamente o que quero só pra parecer um cara super seguro. Ainda não sei. Assumo, vivo nesse constante dilema. Mas não estou sozinho nesse barco.

Sou novo e ainda tenho muito que aprender. Mas agradeço as pessoas com mais tempo de estrada que passaram por minha vida e que contribuíram um pouco pro meu crescimento.

Atualmente estou um pouco menos inquieto, e talvez mais acomodado. Fiz da simplicidade minha filosofia de vida, e uma fórmula pra tornar a vida menos colidente.

Claro que não deixo de questionar algumas coisas, mas procuro não tentar “decifrar o indecifrável”. Mas isso só aconteceu, quando em conversa com uma pessoa que demonstrava uma solidez incrível, e com todas as realizações que um homem pode desejar, revelou ter essas mesmas questões não respondidas.

Em resumo, acho que custaria uma vida toda para ao final descobrir que não há nada a ser descoberto. Mas isso não invalida as buscas por respostas. Acho até que seria leviano demais viver setenta, oitenta anos sem ao menos tentar obter um melhor entendimento disso tudo que chamamos de existência. Recomendo, pergunte, questione, e se encontrar alguma resposta, por favor, divida comigo!

14 abril 2009

A garota do olhar de oi


Era uma vez, uma linda menina
Doce e frágil ela era
Mas eu a conheci em um dia nublado
E nos seus olhos havia tristeza

E triste eu também fiquei, por vê-la assim
Eu desejava poder ajudá-la
Quem sabe fazê-la sorrir
E por um instante esquecer o que lhe causava dor

Nossa história começou assim
Uma tal garota das laranjas
Os olhos mais falantes que já conheci

Então, aos poucos o céu se abriu
E os seus olhos brilharam, como o sol num dia claro
Ainda que por pouco tempo
Eu vibrei, e comemorei

Eu tinha razão, mesmo sem conhecê-la
Já sabia quem ela era
Eu soube naquele dia nublado
Quando ela deu o primeiro oi
Um olhar de oi

Quero te ver sempre sorrindo (promete?)
Garota do olhar de oi
E sempre que chover, tenho certeza
Onde eu estiver, o tempo que passar
Vou ouvir uma suave voz perguntando sobre o tempo
E dizendo que eu sempre acerto nas previsões
Mesmo sabendo que não olho pro céu
Esse é o nosso segredo
Não fazemos previsão do tempo
O céu não está nublado
E as gotas não são chuva...

Mas os nossos dois sóis sempre vão estar lá
Ainda que não possamos vê-los, eles estarão lá
E por menores que pareçamos dá distância que nos observam
Eles sabem quem somos e não esquecerão de nós

Deixamos de ser crianças, ficamos chatos


À medida que vamos crescendo, e esquecendo que um dia fomos crianças, perdemos o grande tempero da vida, a capacidade de admirar e empolgar-se com os pequenos detalhes das coisas que nos cercam. E aí, nos tornamos chatos.

Quem já viu a reação de um bebê ao ver um cachorro, ou outro animalzinho, ou qualquer coisa com vida e cores sabe do que estou falando. Admiração!

As crianças se divertem com qualquer coisa.

Já ouvi e falei tantas vezes essa frase. Mas não é verdade. Na verdade elas se divertem sim, mas não com qualquer coisa. Elas se divertem com os detalhes que nos passam despercebidos, porque não conseguimos mais ver a beleza e vida que existe neles. Amadurecemos. E como seres maduros, não podemos mais contemplar a vida com olhos de criança, não pegaria bem né?! Besteira.

Li (e vivi) que quando estamos apaixonados resgatamos um pouco dessa coisa de criança, e por algum tempo conseguimos nos impressionar com a beleza do pôr do sol, por exemplo, mesmo sabendo que ele se põe todos os dias.

Não demora muito e voltamos a ser os adultos chatos que somos hoje, apesar das tentativas de sermos descolados.

Talvez a solução seja apaixonar-se todos os dias... Mas não é tão simples quanto parece, não controlamos isso.

Chego a pensar que não fomos feitos pra viver rotineiramente. Então qual é o combustível pra uma vida empolgante?! Viver coisas novas todos os dias? Voltar a ser criança, caso isso seja possível? Encontrar alguém que consiga, magicamente, causar esse efeito e fazê-lo durar até o fim da sua vida? Ou, conformar-se e aceitar uma vida “sem vida”?

Eu sou um chato mesmo, mas inconformado... rsrs